INSTRUMENTAL, A NOVA VOZ DA MÚSICA MINEIRA

•12/04/2012 • Deixe um comentário

fotos de Élcio Paraíso

 

foto: Élcio Paraíso

Festivais e prêmios têm, na grande maioria das vezes, a marca negativa de acirrar desnecessariamente o espírito competitivo entre os concorrentes e deixar um ar de injustiça quanto ao resultado final. Mas não foi isso o que se viu nas noites de 30 e 31 de março e primeiro de abril no Teatro Sesiminas em Belo Horizonte. O XII Prêmio BDMG Instrumental levou 12 grandes artistas ao palco – exatamente na edição realizada no ano de 2012 – e mostrou uma diversidade enorme de propostas musicais com altíssimo nível de execução.

Assim como o jazz, a música instrumental não tem modelos ou regras, apenas referências que se abrem a um universo infinito de possibilidades harmônicas e rítmicas. Cada um dos concorrentes mostrou um pouco dessas nuances, seja evocando baião, samba, experimentalismos ou mesmo o jazz – as influências evocadas e anunciadas iam de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti a Chris Potter. E isso reflete exatamente uma geração especial da cena instrumental belorizontina, já que, apesar de variações estilísticas, muitos ali são amigos e compartilham formações na noite dos bares (grande escola para quase todos) e projetos artísticos. Isso foi visível não só para quem acompanha a cena mineira, bastando ter verificado que não foram raros os instrumentistas que acompanharam mais de um concorrente.

E exatamente pelo alto nível presenciado, excelentes candidatos ficaram pelo caminho, como o saxofonista Sérgio Danilo, que apresentou composições envolventes com influências declaradas de gafieira e fez uma homenagem a K-ximbinho, com “Ternurinha”, num lindo arranjo acompanhado pelo violão de sete cordas de Thiago Delegado (um dos vencedores da edição de 2011).

A grande final, que levou seis concorrentes da primeira noite e dois da segunda, mostrou uma constatação da música instrumental: não basta ser um virtuose (característica compartilhada por quase todos selecionados), há que se ter um diferencial. Nesse sentido, um dos pontos mais bacanas do Prêmio BDMG é a exigência de que dois dos três temas sejam composições próprias e o terceiro um arranjo. Com isso, descortinam-se criadores excepcionais. Outro ponto interessante é não ter um único vencedor, mas sim quatro, que além de R$9 mil, terão direito a um show em BH e outro em SP, através do Sesc TV, com convidados especiais. Mesmo os dois finalistas não premiados deixaram ótima impressão. Walmir Carvalho, ao saxofone, mostrou elegância e fez uma releitura do mestre Moacir Santos. Já o também saxofonista Bernardo Frabris, com grande domínio, passou de influências do Clube da Esquina e Jazz ao rock progressivo.

foto: Élcio Paraíso

Mas não dá pra questionar os méritos do quarteto vencedor. Gilson Brito foi o candidato com maior pontuação. Na saída do teatro, o juri (formado por feras como Teco Cardoso, do Quarteto Pau Brasil, e Mauro Rodrigues) ainda tentava digerir a técnica fabulosa do goiano (o edital do prêmio exige que o candidato seja residente em Minas), que aprontou as maiores estripulias ao violão sem transtejar uma nota sequer – um desafio enorme em performances complexas. Gilson, que levou para o palco um pouco de sua trajetória erudita, foi acompanhado pelo clarinete de Matteo Ricciardi, eleito como o melhor instrumentista da edição, destacando-se na interpretação de Beatriz (Chico Buarque e Edu Lobo), que arrancou lágrimas da platéia.

foto: Élcio Paraíso

Merecida também a escolha de Thiago Nunes. O guitarrista mineiro tira um som ao mesmo tempo discreto e arrojado de sua guitarra, no melhor estilo da escola de Toninho Horta. Não por acaso, na hora de fazer uma releitura, optou por “Francisca”, de Toninho.

Como compositor ele também passa com boa desenvoltura do universo de influências locais para o jazz – o instrumentista teve aulas em Nova York com dois ícones do gênero, Jack Wilkins e Lage Lund. Resultado disso foi uma apresentação agradabilíssima e de alto nível.

Élcio Paraíso

O maior premiado do XII BDMG Instrumental foi Rafael Martini (mais do que merecido, aos ouvidos do Notas Geraes). O pianista foi aquele que demonstrou maior inventividade nas composições, sem exibicionismos. A banda (piano, bateria, contrabaixo, clarinete, clarone e flautas) foi explorada num experimentalismo que conjugava raro calor e catarse de público. A proposta diferenciada para o grupo também foi reconhecida com o prêmio de melhor instrumentista acompanhante para o baterista Antônio Loureiro.

No último tema, uma síntese da dialética de Rafael: um magistral arranjo de “Tempo do Mar”, composição pouco conhecida de Tom Jobim que adentra profundezas onde só o maestro soberano poderia chegar. A releitura rendeu a Martini um segundo prêmio do júri, de melhor arranjo.

E para fechar o quarteto vencedor, Pablo Dias. Tanto no anúncio final quanto nas duas apresentações (seletiva e final), o jovem de 20 anos foi ovacionado pelo público – em parte por seu carisma no palco e pelas divertidíssimas entrevistas que concedeu no intervalo (salvando a proposta sonolenta de bate-papo com os concorrentes). Mas não há dúvidas, a revelação – no sentido mais verdadeiro – do festival é realmente um fenômeno. O talento nato do cavaquinista foi refinado tocando em bares com grupos de samba e chorinho na Praça Sete.

O domínio do instrumento é impressionante, lembrando Yamandu Costa e Hamilton de Holanda (o primeiro ele já acompanhou; e o segundo é seu ídolo, que ele pretende ter como convidado no show para o Sesc TV, “se o cachê der”). Mas o que ninguém esperava era presenciar duas composições instrumentais tão maduras e virtuosas. A escolha de “Passarim” para finalizar seu número também demonstrou sensibilidade de repertório.

Pablo se dizia maravilhado por poder estar em um mesmo festival que seus ídolos (ele é aluno de Thiago Nunes). E é exatamente ali que ele pretende ficar. Disse que uma hora gostaria de ser íntimo e poder chamar tantos feras pelo apelido, assim como os instrumentistas se relacionavam nos bastidores. E esse momento não demorou a chegar. Após a noite de premiação, muitos vencedores, acompanhados de amigos, e jurados seguiram para a tradicional Casa dos Contos. Em mesas lado a lado, em pouco tempo ele já tinha ganhado a admiração e amizade de Wagão e Juá. Wagão é Wagner Tiso, presidente do júri da edição do prêmio; e Juá é Juarez Moreira, que fez a seleção dos concorrentes iniciais do festival.

Com a noite conduzida pelo vinho, Juarez Moreira buscava contextualizar o atual estágio da música mineira para o crítico e poeta Antônio Carlos Miguel (também jurado do festival). “Esse pessoal é quem conseguiu realmente dar continuidade e reinventar a seu modo o legado de qualidade musical deixado pelo Clube da Esquina”, analisou o guitarrista, violonista e compositor. “E mesmo tendo focado nas canções, nós sempre tivemos a música instrumental ali dentro do Clube da Esquina”, lembrou o pianista e arranjador, fisgando os nomes de Nivaldo Ornelas e Hélvius Vilela para esse exemplo.

Todos os concorrentes se dizem muito confortáveis produzindo em Belo Horizonte – esse ano diversos álbuns serão lançados (como o de Rafael Martini), nos quais muitos deles se revezam como artista solo e acompanhante. E com um cenário como esse, é aqui que eles pretendem ficar. Pelo visto, depois de mais de 120 anos da capital mineira, parece ser a música instrumental a romper o legado (ou maldição) de vermos nossos maiores artistas obrigados a fazer carreira em outras freguesias (os exemplos vão dos modernistas, como Drummond, ao Clube da Esquina). E uma voz que se afirma com muito talento e personalidade.

Ícone do rock progressivo nacional, O Terço continua na ativa

•16/03/2012 • Deixe um comentário

publicado no jornal Estado de Minas em 16.03.12

A brincadeira parte do único remanescente da banda original – coincidentemente, o mais velho da turma. “Já estamos encomendando a banheira de formol e a câmara hiperbárica”, diz, com a indispensável ironia, Sérgio Hinds (guitarra, viola e vocal), de 63 anos. Ao lado de Sérgio Magrão (baixo e vocal), de 61, e Sérgio Mello (bateria e percussão), de 40, ele dá sustentação à reverenciada formação clássica de O Terço, liderada por Flávio Venturini (piano, teclados e vocal), de 62.

Na ativa desde 2005, quando voltaram aos palcos para gravar CD e DVD ao vivo, os integrantes da lenda viva do progressivo nacional assumem, sem medo, a posição de dinossauros do rock. No show deste sábadoà noite, no Grande Teatro do Palácio das Artes, não vão faltar hinos (Criaturas da noite, Hey amigo e Casa encantada), além de criações mais recentes (Suíte e Antes do sol chegar, entre outras). Adepto do gênero e líder do SagradoCoração da Terra, o violinista Marcos Vianna é o convidado da turma.
Ao mexer no baú, Flávio Venturini acabou encontrando canções inéditas em fitas de rolo que espera reaproveitar em novos discos. Entre elas está a ópera-rock Raposa azul, parceria dele com Hinds. A história do grupo é narrada em pequenas crônicas no inédito livro Eu e O Terço, de Irinéa Maria Ribeiro, viúva do baterista Luís Moreno: a banda que sempre privilegiou hard rock, folk e MPB aderiu ao progressivo exatamente depois da chegada de Venturini. Hoje, o mais fanático pelo gênero é Sérgio Mello, o integrante mais jovem da turma.
“Continuo com a carteira de sócio atleta da jurisdição pró-rock”, brinca o baterista, que ouve e pesquisa o progressivo no mundo inteiro, especialmente na Europa, onde o gênero se expande em grandes festivais promovidos na Alemanha e na Dinamarca. “Os maiores nomes são os que atualmente fazem grandes shows no Brasil”, afirma Mello. O progressivo, explica ele, nasceu com os Beatles, que juntaram rock’n’roll e música clássica sob a batuta do maestro George Martin.
Sgt. Pepper’s é um clássico”, constata Sérgio Mello. Mas o pioneiro “progressista” foi Abbey road, o 12º álbum dos Beatles, lançado em 1969. “Há ligação da primeira à última faixa, como que para contar uma história”, ensina o baterista. No Brasil, afirma Sérgio Hinds, não se vê estímulo para a formação de grupos do gênero. “Não há banda sem tecladista”, acrescenta o guitarrista. Além da importância do equipamento para quem domina o instrumento, ele é difícil de tocar. “Tem de estudar muito para aprender”, resume. “Daí a tendência de sair mais para o eletrônico”, emenda Flávio Venturini.
A marca do progressivo é a forma como ele se identifica com a música erudita, sobretudo em relação a temas e suítes-temas. A harmonia é essencial à instrumentação, lembra Flávio. Apesar de hoje usarem instrumentos digitais, os integrantes d’O Terço destacam que todos oferecem timbres idênticos aos da instrumentação setentista. “O importante é reproduzir os arranjos originais”, ressalta Flávio.
Não por acaso, o rock progressivo se expande com mais vigor em Minas Gerais em relação a outros estados. “Tem tudo a ver com a gente. Os próprios discos do Clube da Esquina, da década de 1970, são bem progressivos, assim como os instrumentais de Milton Nascimento”, analisa Venturini. Aliás, Joe Anderson, vocalista do Yes, é fã de Bituca. Cartoon e Cálix estão entre as jovens bandas mineiras progressivas citadas pelo cantor e tecladista ao se referir à boa fase do gênero por aqui.
Na rede 
No Cultural, bar musical de Juiz de Fora, os músicos d’O Terço começaram a perceber a renovação de seu público. “O mais velho da plateia tinha 25 anos, o que nos surpreendeu”, revela Sérgio Hinds, admitindo que as redes sociais se tornaram instrumento indispensável para essa mudança.
“A garotada também gosta do passado, de Beatles e de progressivo”, afirma Flávio Venturini. Este ano, a intenção do grupo é criar trabalho em estúdio, que funciona na casa de Flávio, num condomínio de luxo na Grande BH.
Hinds diz que a criação tem a ver com os ciclos da vida: “Os próprios músicos começam a estudar mais, a buscar música mais elaborada. O rock progressivo sempre foi produto disso”. Se na década de 1970 o gênero se sustentava graças ao boca a boca, Sérgio Mello diz que hoje isso se deve aos jovens e a seus laptops. “Pesquisa é a origem de tudo. Se éramos ratos de sebo, hoje estamos na rede”, conclui o baterista.
Ao vivo 
Lançado em CD e DVD, o trabalho que marcou a volta d’O Terço ao mundo fonográfico foi gravado no extinto Canecão carioca. Apesar da boa procura, o DVD foi retirado das prateleiras. O problema, de acordo com a banda, deve-se ao fato de o produtor PH Castanheira tê-lo lançado sem autorização da Agência Nacional de Cinema (Ancine), levando a gravadora a recolher o produto em decorrência de problemas jurídicos. O CD está disponível nas lojas e no site www.somlivre.com.br. 
 
O Terço
Sábado, 17 de março, às 21h. Grande Teatro do Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro. Plateia 1: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada). Plateia 2: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). Plateia superior: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Classificação: livre. Informações: (31) 3236-7400.

O coração mineiro de Danilo Caymmi

•15/03/2012 • Deixe um comentário

No fim de semana em que o artista se apresenta no projeto Sesc MPB em BH, Notas Geraes relembra grande disco do caçula dos Caymmi

Em 1977, Danilo Caymmi lançava seu primeiro disco solo. E logo na primeira frase da faixa inicial, o carioca já deixava claro qual é o espírito desse belíssimo trabalho: “Vou por aí, levando um coração mineiro..”

Pois é, “Cheiro Verde” traz uma aconchegante atmosfera das Minas Gerais (terra de sua mãe Stella Maris), tal qual uma prosa à beira do fogão-a-lenha. Mas também evoca temperos de uma época decisiva para a música brasileira, de assimilação do cancioneiro de Caymmi e Jobim e, paralelamente, de uma inventividade e coragem para traçar novas identidades.

Resultado disso é a construção de dez faixas saborosíssimas, passando por sambas cativantes, como “Mineiro”, pela bela valsa “Juliana”, até chegar em músicas de extrema irreverência e mesmo psicodelismo, como “Racha Cartola” e Vivo ou Morto”.

A relação de músicos do disco mostra que Danilo se cercava na década de 70 de um time de grandes instrumentistas (com vários mineiros, obviamente), como Cristóvão Bastos, Airto Moreira, Hélvius Vilela, Pascoal Meirelles, Nelson Ângelo e Novelli. Apesar de Toninho Horta não estar no disco, o universo do guitarrista parece ser lembrado a todo momento, como em “Codajás”.

Não por coincidência, o primeiro álbum do caçula dos Caymmi foi o sensacional “Beto Guedes, Novelli, Danilo Caymmi e Toninho Horta”, de 1973, com uma contra-capa marcante.

No reino da palavra, as letras de Ana Terra (cujo selo independente lançou o disco) também dão as tonalidades de um momento especial vivido por gente talentosa de coração aberto:  ”Pé de vento, você que me faz água mansa de rio..” (em “Lua do meio-dia”, aos poucos decifra-se que uma das vozes do uníssono é de… Milton Nascimento). Por falar em voz, “Cheiro Verde” apresenta um Danilo Caymmi muito diferente do timbre grave que marcou sua trajetória (na “Banda Nova” de Tom Jobim, por exemplo). Durante todo o disco, ele se desloca por uma região vocal aguda e audaciosa, como em “Botina”. Há que se destacar também a flauta de Danilo, que dialoga com vertentes de jazz e rock (um Ian Anderson das montanhas?)

Pra quem estiver em Belo Horizonte nesse fim de semana, um excelente programa é cruzar a famigerada Feira Hippie da Avenida Afonso Pena e adentrar o oásis do Parque Municipal para curtir, de graça, um show de Danilo Caymmi. A apresentação dá início ao Sesc MPB 2012, que já trouxe artistas como Leila Pinheiro, Joyce e Boca Livre. O bem-sucedido projeto tem o formato de sempre ser aberto por um artista local, que depois divide o palco com o convidado especial antes de passar a bola. Dessa vez, a escolhida foi Regina Souza, cantora competente sobrinha de Betinho, Henfil e Chico Mário (ela gravou um disco só com composições do violonista).

Para esse domingo, 18 de março, a partir das 11horas, é esperado o Danilo Caymmi que marcou época com músicas como “Andança” e “Casaco Marrom”. Mas fica a expectativa de rolar algo daquele saudoso 1977..

Celso Moreira lança novo disco no Museu da Pampulha

•01/03/2012 • Deixe um comentário

Como bom mineiro, Celso Moreira construiu uma trajetória consistente na música instrumental brasileira, sem grandes exibicionismos, com energia direcionada ao talento que emprega tanto como compositor, violonista e arranjador. Seu violão está em obras emblemáticas, como a Missa dos Quilombos, de Milton Nascimento e Pedro Casaldáliga.

Em 2008, lançou o primeiro disco solo, Celso Moreira Autoral , que apresenta sua veia compositora em faixas de grande elegância e domínio técnico.

Em 2012, Celso Moreira lança o segundo álbum, com releituras de belas obras do cancioneiro, com passagens obrigatórias por Noel Rosa e Tom Jobim.

O trabalho será apresentado no Museu de Arte da Pampulha no próximo domingo, contando com feras que participaram do disco, como André Limão, na bateria, e Enéias Xavier, no baixo.

CELSO MOREIRA LANÇA “CENAS BRASILEIRAS”

A paisagem que envolve o Museu de Arte da Pampulha é a cena escolhida pelo instrumentista e compositor para apresentar ao público seu novo CD na abertura da edição 2012 do projeto Domingo no Museu

Gravado, ao vivo, no Teatro Municipal de Sabará, em 2011, “Cenas Brasileiras” é o novo álbum de Celso Moreira. Com um repertório inédito e autoral, mesclado com grandes sucessos da música popular brasileira, como “Um a Zero”, de Pixinguinha; “Conversa de Botequim”, de Noel Rosa; “Água de Beber” e “O Nosso Amor”, de Tom Jobim e Vinícius de Morais, o CD do compositor será apresentado ao público, pela primeira vez, no Domingo no Museu, realizado pela Veredas Produções, no dia 4 de março, às 11 horas.

Os ingressos custam R$ 10,00 e podem ser comprados no Museu e na loja Acústica CD´s a partir do dia 27 de fevereiro, com a renda revertida para a conservação do Museu.

O novo projeto de Celso Moreira contou com um trio de peso, fundamental para a apresentação que resultou em seu novo CD. Os músicos André Limão Queiroz, na bateria; Christiano Caldas, no teclado; e Milton Ramos, no baixo, foram os responsáveis pelo apoio ao compositor durante a gravação e serão os instrumentistas que o acompanharão no Projeto Domingo no Museu. O CD “Cenas Brasileiras” possui, também, a participação especial de Célio Balona, Nivaldo Ornelas, Cléber Alves, Enéias Xavier, Esdra Neném Ferreira e Chico Amaral.

Mineiro, Celso Moreira nasceu em Guanhães, em um berço musical. Seu pai, Ridávia Moreira e seu irmão, o guitarrista e compositor Juarez Moreira são exemplos desta forte ligação da família com a música. Em sua carreira, grandes parcerias e amizades com ícones da música brasileira, entre eles Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Wagner Tiso, Fernando Brant e Murilo Antunes.

Seu primeiro álbum solo, intitulado “Celso Moreira Autora”l, foi lançado em 2008. O sucesso deste trabalho foi relevante e proporcionou, ao instrumentista, a premiação de melhor disco instrumental do ano de 2008, por meio do Prêmio Marco Antônio Araújo, realizado pelo BDMG Cultural. Em seu currículo, podemos listar, também, sua participação na gravação da trilha sonora do balé “O Último Trem”, do Grupo Corpo; premiações no BDMG Instrumental, em 2001 e 2006 e, apresentações com diversos nomes da MPB, entre eles, Milton Nascimento, em sua turnê com a “Missa da América Negra”, pelo Brasil e Espanha, dentre outras conquistas.

Domingo no Museu

Tradicional no cenário cultural de Belo Horizonte e do estado, o Projeto Domingo no Museu apresenta ao público ícones da música em um dos cartões postais da capital, o Museu de Arte da Pampulha (MAP). Patrocinado pela Usiminas e pela Tecnocal, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, o projeto já recebeu artistas como Alda Rezende, Paulo Bellinatti, Weber Lopes, Trio Madeira Brasil, Duo Gisbranco, Paulo Freire e André Mehmari. A realização do Domingo no Museu no MAP foi responsável por consolidar o local como um espaço de lazer e cultura para todos os belo-horizontinos.

SERVIÇO:

Domingo no Museu – Lançamento do CD Celso Moreira – “Cenas Brasileiras”

Local: Museu de Arte da Pampulha (Av. Otacílo Negrão de Lima, 16585)

Data: Dia 04 de março, às 11 horas

Ingressos à R$10 (inteira)

Locais de venda: No Museu de Arte da Pampulha e na loja Acústica CD’s (Rua Fernandes Tourinho, 300) – A partir do dia 27/02

Informações: (31) 3277-7996

 

 

 

Um carnaval pequenininho e uma melodia que fala ao coração

•17/02/2012 • Deixe um comentário

carnavalzinho

 

 

Salve o Frevo!

•09/02/2012 • Deixe um comentário

Hoje é dia de um dos ritmos mais ricos, sofisticados do planeta: o Frevo. Uma energia que emerge das ladeiras de Olinda e contamina a todos!

Uma cultura que o Brasil pode se orgulhar de ser genuinamente nacional, pela qual seus mais célebres músicos transitaram, de Hermeto Pascoal aos novos nomes do instrumental do país.

Por isso, o Notas Geraes deixa aqui uma homenagem ao frevo exatamente com o velho e bom Hermeto e com um grande instrumentista e compositor, Thiago Delegado, que despontou a poucos anos pelas Minas Gerais e que, não perdendo tempo, tratou de frevar..

 

É preciso entender a graveolização

•01/02/2012 • 1 Comentário

Texto escrito pela jornalista Flora Pinheiro, uma das responsáveis pelo Brasileína


Talvez eu esteja escrevendo o texto mais sincero da minha vida. Talvez ele esteja bem atrasado também. Foram precisos dois ou três anos para entender o porquê de que, a cada 10 amigos meus, 9 gostem de Graveola e o Lixo Polifônico. A banda do filho de um professor da época de faculdade, a banda do amigo do amigo do amigo.

Comecei a ter notícias do Graveola ainda no curso de jornalismo. Resolvi baixar o cdzinho da capa amarela, mas não rolou. Era diferente de tudo que eu já tinha escutado, me causou estranheza aquela percussão diferente, apitos e tudo mais. Não fui cativada na primeira “ouvida”. Confesso que me peguei cantarolando “para, continua, para, para, continua” algumas vezes e em diversas situações. Enquanto isso, o público só aumentando e eu nadando contra a maré. Cheguei a ir em alguns shows que estavam na programação de  festivais em Belo Horizonte, mas a prioridade não era o Graveola. Até cobertura fotográfica já rolou (dão umas fotos pra lá de bonitas). Mas, não. Não entendia o encanto e a hipnose que as pessoas estavam sofrendo. O sexteto esteve presente em festivais importantes por muitas regiões do Brasil, laçou o segundo álbum, o “Um e meio” e até fez turnê por países como  Portugal, França e Itália.

Uma vez, em uma conversa com um paulista de Bauru, as coisas começaram a clarear. Eu dizia que não achava nada demais no Graveola e ficava surpresa em saber que existiam pessoas (e muitas) além de Minas Gerais que gostavam e conheciam a banda. Ele retrucava dizendo que os não-mineiros são encantados com a banda porque fora daqui talvez seja difícil encontrar algo deste gênero, com essa proposta.

Eis que surge o “Eu preciso de um Liquidificador” em um “boom” avassalador pelas redes sociais. Todos mineiros e não-mineiros só falavam disso. “Farewell Love Song” predominava a timeline do meu facebook e twitter. Cliquei em um dos links, ouvi e pronto: aquele baião graveolizado me conquistou só na introdução. A letra entrou e já senti uma fisgada na garganta. Percebi que precisava dar uma segunda chance ao Graveola. Baixei o cdzinho da capa verde, ouvi e fiquei em estado de choque. Foram descargas e descargas elétricas a cada faixa. Uma nostalgia do que não vivi, uma viagem. Quando meus pés começaram a bater de forma espontânea, percebi que até meu corpo já tinha se rendido àquele groove, swingue.


Foi preciso parar e observar ao meu redor. De repente eu me dei conta do que estava acontecendo em Belo Horizonte. O Graveola é uma banda/coletivo que está ligada não apenas à música, mas em articulações artísticas e questões políticas. Ajudaram a criar a Praia da Estação (quem disse que a capital mineira não tem praia?), uma espécie de movimento contra a proibição de “eventos de qualquer natureza” na Praça da Estação (no Centro de Belo Horizonte) que foi decretado na era Márcio Lacerda (para entender melhor, clique aqui).  O lançamento do terceiro disco foi no final de 2011, na Comunidade Dandara, formada em 2009 com a ocupação de um terreno abandonado há mais de 30 anos e onde há atualmente cerca de mil famílias. A banda usou o lançamento do “Eu preciso de um liquidificador” como forma de dar apoio a comunidade contra a ameaça de despejo feita pela prefeitura. Evento gratuito e que tinha como plateia um mix de moradores do local e do já tradicional público.

Mas, na última sexta-feira (20 de janeiro), pude testemunhar a consolidação e reconhecimento da graveolização na cidade. Estava marcada para às 21h a gravação do DVD do mais recente álbum, no grande teatro do Palácio das Artes. Só pra se ter uma ideia, a última vez que eu tinha ocupado uma daquelas poltronas foi num show do Chico Buarque. Um pouco antes do show começar, volta e meia trombava com alguém que me questionava: “Ué, você aqui?!” Devo ter criado uma opinião muito contraditória ao logo do tempo para as pessoas se espantarem com minha presença. Pela platéia, muitos rostos conhecidos e dezenas e dezenas de pessoas que tinham a idade do meu pai, tio avô ou irmã mais nova. Um clima família e harmônico. Todos ali sabiam que aquela noite tinha tudo pra ser bonita.

As luzes se apagam e o espetáculo começa. Como todos sabem, Santa Acústica do Palácio das Artes: meus ouvidos captaram um Graveola jamais escutado. A alegria estava no ar, a magia estava no ar. Por duas, três ou quatro vezes precisei brigar com as lágrimas que teimavam e queriam descer o meu rosto. Os meus vizinhos de assento faziam de seus corpos verdadeiras percussões. Poltronas chacoalhavam pra lá e pra cá. A felicidade estava estampada em cada um do sexteto mas, principalmente, do vocalista José Luis Braga, que volta e meia saltava pelos ares, e do guitarrista Luiz Gabriel Lopes, que bailava pelo palco abraçado à sua amiga azul. A essa altura, luzes já estavam acesas e os corredores tomados pelos mais exaltados ao embalo das 14 faixas do cd, como “Desdenha” (por mim intitulada como uma singela homenagem às periguetes tilelês) e “Insensatez: a mulher que fez”, que pertence ao primeiro álbum.

Além da gravação do primeiro DVD, a noite também teve como objetivo a apresentação do clipe de “Farewell Love Song”, com produção da Sonzera Filmes. A última música da noite foi “Babulina’s trip”, conhecida como o hino da juventude revolucionária belohorizontina. Cerca de 50 pessoas subiram ao palco, se abraçaram, cantaram, demonstraram afeto. Confesso que achei o detalhe “A Banda mais Bonita da Cidade” desnecessário, mas foi perdoável. Foi bonito.

Depois do show, li comentários de conhecidos falando sobre a contemporaneidade da banda. A mais pura verdade. Graveola é a banda independente belohorizontina mais conhecida no cenário nacional e internacional. É a representação da juventude da cidade. A juventude que luta pro cenário cultural acontecer. E está acontecendo já há algum tempo, só não percebe quem não quer. Há quem ainda duvide  de sua força. Não duvide, meu amigo, não duvide. É preciso respeitar e, quem sabe, até admirar. É preciso entender a graveolização.

 
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