MARCHINHA DE CARNAVAL PROPÕE REVIVER SUCESSO DOS GRANDES CARNAVAIS NOS BAILES DE SALÃO

 



 

Na próxima quinta-feira, 03 de março, às 21h30, acontece no CentoeQuatro a Marchinha de Carnaval com a Orquestra Gafieira. O evento encerra a temporada de fevereiro do projeto Gafieira e propõe reviver os sucessos dos grandes carnavais nos bailes de salão.


Nos dois últimos anos uma nova estampa surge no cenário do carnaval de Belo Horizonte. A programação que antes se concentrava nos desfiles da Banda Mole e Santo Bando e no desfile das escolas de samba – este ano na Av. dos Andradas, agora tem também um movimento articulado por jovens e estudantes. Sem muita pretensão e através do improviso, amigos se reuniram buscando ocupar a cidade (com ruas vazias nessa época do ano) e resgatar a tradição de blocos de rua. Levando seus instrumentos e muita alegria saíram pelas ruas. Hoje os blocos possuem um calendário de desfiles e estão espalhados por várias regiões da cidade, e o carnaval em Belo Horizonte é data aguardada por muita gente.

E é neste clima de resgate de tradições que o CentoeQuatro abre as portas do salão do segundo andar para a alegria e para a brincadeira. No dia 03 de março acontece o baile pré-carnaval Marchinha de Carnaval com a presença da Orquestra Gafieira interpretando tradicionais marchinhas e sambas. Os foliões podem brincar ao som de O teu cabelo não, nega, Me dá um dinheiro aí, Trem das onze, Cabeleira do Zezé, Bandeira branca e outros sucessos.

O evento encerra a temporada de fevereiro do projeto Gafieira, cujo objetivo é resgatar a música de qualidade e a dança dos bailes ocorridos nas décadas de 40 e 50 na zona boemia de Belo Horizonte, trazendo de volta o charme de frequentar o centro da cidade, fomentando a música instrumental do gênero e a produção artística e despertando interesse para a dança. A Gafieira, projeto idealizado pelo CentoeQuatro teve sua primeira edição em outubro do ano passado. A quarta temporada do projeto acontece em abril, o público pode aguardar novidades.

A Orquestra Gafieira ganha nova composição para o baile pré-carnaval: nos vocais Juarez Macedo comanda Breno Mendonça (sax tenor), Diogo Gonçalves (sax alto), Wagner Souza (trompete), Norton Ferreira (trombone), Mauro Continentino (piano),  Branco Moura (guitarra) Reinaldo Oliveira (guitarra), Juliano Nunes (baixo), Levi Junior e Tininho Silva (bateria)

O baile promete muita alegria e a animação tradicional dos carnavais de salão com o requinte musical da Orquestra Gafieira e o conforto e a caprichada decoração do espaço.

SERVIÇO

Marchinha de Carnaval
com apresentação da Orquestra Gafieira e DJ Rafael
Quinta-feira, 03 de março de 2011
Horário: 21h30
Entrada: R$12,00
CentoeQuatro | Praça Ruy Barbosa, nº 104 – Centro – BH
Entrada sujeita à lotação do espaço.
Informações para o público: 3222-6457 ou contato@centoequatro.org

estréia

Mesmo vivendo há mais de duas décadas um auto-exílio em Alfenas, sul de Minas, o carioca Fredera engrandeceu o rock, a MPB e a música instrumental durante mais de vinte anos como guitarrista profissional. Na lendária banda de rock progressivo Som Imaginário – ao lado de Tavito, Zé Rodrix, Luís Alves, Robertinho Silva, Naná Vasconcelos e Wagner Tiso – marcou época com solos eletrizantes e composições densas e irreverentes.

Na década de 80, Fredera compôs um disco-manifesto em que dava um salto decisivo em termos de concepção musical. Em visita ao Brasil, o maestro canadense Gil Evans elegeu o disco Aurora Vermelha como referência de composição instrumental contemporânea.

Hoje, em meio a gatos e plantas, Fredera se dedica ao jazz, à pintura e escultura, a shows e participações exporádicas e, numa nova etapa de sua carreira, ao ensino musical. Professor de guitarra, violão e harmonia no Conservatório de Alfenas, ele leva mais do que o conhecimento de ritmos e notas. Fornece todo o conhecimento adquirido como intelectual e artista politicamente engajado. Ao fim de cada aula, jovens talentos saem com um manancial de informações que possibilitam a construção da postura artística sob um novo prisma.

E foi durante uma dessas aulas que o Nota Geraes produziu o primeiro vídeo do quadro “Fala, Fredera!”. Artista multidisciplinar e sem papas na língua, mensalmente o guitarrista carioca tecerá reflexões e expondo fatos da música brasileira e internacional.

O primeiro vídeo do quadro teve a contribuição do jornalista Marco Túlio Ulhôa, responsável pelo Sopa de Cinema.

FALA, FREDERA!


nota especial

Em 2010, o Café com Letras promoveu o primeiro Concurso de Jornalismo Cultural e Literário do Savassi Festival. O tema foi Jazz e Música Instrumental. Fiz uma reportagem sobre a ligação de novos “filiados” do Clube da Esquina com a música instrumental, enfatizando o bom momento para o jazz em Minas e a abertura de novas casas. O texto ficou em terceiro lugar no concurso.

 

A reinvenção de uma cidade nas trilhas do jazz

Da Guaicurus à Timbiras, a música mineira se renova, expandindo olhares e horizontes

Sob o sol de inverno, o Museu de Artes e Ofícios parece emitir um brilho sutil e amarelado. Para Margareth, no entanto, o fim da tarde pede descanso, e não reflexão. Desde o início da madrugada, ela varreu milhares de garrafas, panfletos e jornais – com assassinatos, jogos e sonhos já envelhecidos – no entorno da Praça da Estação. Mas tudo é feito com uma alegria despojada por Elza, apelido que a gari ganhou pela semelhança com a cantora que seduziu Garrincha. A cada vassourada, o corpo negro e esguio da mulher de 55 anos chama a atenção de quem passa por ali, seja pelas músicas da era de ouro do rádio que a todo o momento evoca ou pelas dezenas de piercings e tatuagens que possui, além das enormes unhas coloridas que escapam à luva.

No ponto oposto, o octogenário José Marcos encerra o expediente de um ritual estabelecido há mais de cinco décadas: clicar aqueles que precisam de uma foto para a carteira de trabalho, para a identidade ou mesmo para recordação. A única diferença é que a máquina lambe-lambe, companheira de toda uma vida, foi trocada há poucos anos por uma digital, acoplada a uma moderna impressora. No mesmo metro quadrado desde a década de cinqüenta, viu passar por ali Hilda Furacão e Cintura Fina. Tem recordação também do boato de que Orson Welles estaria hospedado no Hotel Itatiaia durante a visita que o cineasta americano fez à capital mineira.

A Rui Barbosa já foi chamada de Praça dos Namorados devido ao clima bucólico e romântico que pairava no ar. A partir da década de 70, entretanto, a degeneração, a bandidagem e o descaso do poder público apagaram essa imagem. Só nos últimos seis anos, com a revitalização da área, voltou-se a respirar a velha tranqüilidade por esses cantos. “O papo é bom, mas preciso pegar o ônibus pra Sagrada Família”, se despede o fotógrafo, pai de outros dois lambe-lambes que resistem à modernidade preservando o ofício no Parque Municipal. A luz de uma fria sexta-feira se vai, mas a poucos metros dali outra forma de resistência tem início.

Apesar de ser tombado e integrar o conjunto arquitetônico da Praça da Estação, o antigo galpão não dá exatamente a entender que ali dentro uma rica efervescência cultural está sendo fermentada. Mas a idéia, talvez, seja essa mesma. O Espaço 104 foi inaugurado em 2009, 101 anos após o edifício ser construído para abrigar a Companhia Industrial Bello Horizonte. No projeto de restauração, buscou-se preservar e recuperar a estrutura original. Pouco mais de oito horas após o Brasil empatar com Portugal, marcando presença nas fases finais da Copa da África do Sul, quem passa pela grande porta de metal na rua Guaicurus, entre Bahia e avenida dos Andradas, pode ouvir acordes que, assim como toda a estrutura ao redor, travam um diálogo entre passado e presente.

De forma quase hipnótica, My Favorite Things suga o espectador para o fundo do amplo e elegante café. Quatro músicos põem à prova talentos lapidados desde a infância para, naquele momento, acompanhar os estados de espírito propostos por John Coltrane.

** O texto foi publicado no periódico Letras. Leia a continuação da reportagem na edição especial LetrasJazz, a partir da página 8.

Primeiras notas…

Às vésperas de uma das datas mais aguardadas do ano, o carnaval, o Notas Geraes entra em cena. A idéia deste espaço é reunir informações, dicas, coberturas, críticas e vídeos no âmbito do jornalismo cultural. O textos, de minha autoria e de colaboradores, terão foco principalmente na música instrumental brasileira – segmento dos mais ricos artisticamente, mas que apresenta uma grave falta de atenção de público e de veículos especializados.

Mas como o próprio nome indica, você pode encontrar aqui notas sobre assuntos gerais, da literatura à política. Porém, da mesma forma, essas notas tendem ao universo musical, a partir de um olhar particular vindo do ceio das belas montanhas das Minas Geraes.