Paulo Francisco apresenta novos compositores e traz convidados especiais

cantor que faz turnê ao lado de Milton Nascimento traz o projeto Sentinelas de Minas a BH e convida Flávio Henrique, grupo Txai, Esdra Nenem, Beto Lopes e Rodrigo Borges

                A próxima edição do projeto Para Todos traz uma das jovens revelações da voz mineira. Natural de Alfenas, no sul do estado, Paulo Francisco vem trilhando um caminho aberto pelo Clube da Esquina, mas que ao mesmo tempo percorre toda riqueza musical do país, da bossa nova e da música instrumental às novas vertentes sonoras.

            E é exatamente essa busca por novos criadores que será apresentada na próxima terça-feira no Conservatório da UFMG. Há cerca de cinco anos, Paulo Francisco vem garimpando novos compositores do sul de Minas, que apesar do talento não têm a devida atenção da mídia. Assim foi criado o projeto Sentinelas de Minas. O show tem como objetivo mostrar a qualidade dessas canções, que serão executadas pelos próprios autores – como Luiz Cláudio “Casquídeo” e Paulo Henrique – e por instrumentistas de destaque da região, como Gabriel Gomes, na bateria, e Osmar Fernandes, nos teclados.

            Todo esse trabalho tem como fio condutor o timbre diferenciado de Paulo Francisco. Além desse projeto, a voz de Tutuca, como também é conhecido, está percorrendo o país ao lado de Milton Nascimento na turnê do álbum “E a gente sonhando…”. Tanto no cd quanto nos shows ele faz duo com o ícone da música mundial em “Amor do Céu, Amor do Mar”. A canção é uma homenagem à Elis Regina, numa parceria de Milton com Flávio Henrique.

E o músico e compositor mineiro será um dos convidados especiais da apresentação no projeto Para Todos. Flávio no momento integra o grupo Cobra Coral, além de produzir inúmeros artistas. Outras participações ficam por conta do grupo vocal feminino Txai – liderado pela irmã de Paulo Francisco, Clarissa Veiga –, do baterista Esdra Nenem, do multi-instrumentista Beto Lopes e do guitarrista e compositor Rodrigo Borges, artistas que são parceiros de Tutuca em outros projetos.

            Paulo Francisco vem participando de importantes encontros musicais de Minas, como o Festival Internacional da Canção (ao lado de Telo Borges), Festival Música do Mundo, em Três Pontas, e Festa da Música (como convidado de Beto Lopes, com quem desenvolve parceria). Apesar da ascensão nos últimos anos, Tutuca tem na família a principal inspiração, já que é filho do lendário guitarrista Fredera (ex-Som Imaginário) e sobrinho do pianista Wagner Tiso.

SERVIÇO

– Projeto PARA TODOS traz PAULO FRANCISCO e Sentinelas de Minas

banda: Casquídeo (baixo, violão, voz)/Gabriel Gomes (bateria)/Osmar (teclados e piano)                Paulo Henrique (violão e voz) PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS: Beto Lopes (baixo)            Esdra Nenêm (bateria)/ Flávio Henrique (piano)/ Grupo Txai / Rodrigo Borges (voz e violão)   

– DATA: terça-feira 29/03/11 / HORÁRIO: 20 horas / Entrada: R$12

LOCAL: Conservatório da UFMG – Av. Afonso Pena, 1534 – Centro

Anúncios

AGENDA INSTRUMENTAL – ESTRÉIA DA SÉRIE SINFÔNICA POP CONVIDA WAGNER TISO

A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais lança, no dia 29 de março, seu mais recente projeto: a Série Sinfônica POP. Serão diversos concertos apresentados no Grande Teatro do Palácio das Artes, em que a OSMG, sob regência do maestro Roberto Tibiriçá, recebe convidados ilustres.

 Para a estreia, o compositor e instrumentista Wagner Tiso sobe ao palco para executar junto da Orquestra canções de sua própria autoria e de renomados compositores brasileiros.


A Serie Sinfônica POP tem o intuito de aproximar os públicos da música popular brasileira e dos concertos sinfônicos. Os programas são repletos de obras que marcaram a cena musical brasileira, em arranjos especiais para orquestra. Em julho quem sobe ao palco do Grande Teatro junto da OSMG é a cantora Zizi Possi, nos dias 19 e 20. Ivan Lins fecha a temporada 2011 da Série, no dia 27 de setembro.

Programa

Parte IWagner Tiso
Cenas Brasileiras – 42′
Mata Burro – 7 Tempos
Lenda do Boto
Olinda Guanabara
Trens
Modas, Mineiro Pau
Frevo

Tom Jobim
Eu sei que vou te amar – 7′
 
(arranjo de Wagner Tiso)


INTERVALOParte II

Dolores Duran
Por causa de você – 4′
(arranjo de Wagner Tiso)

Wagner Tiso
Chorata – 20′
Choro de Mãe
Chorava
Aos Velhos Amigos

 

 

 
Orquestra Sinfônica de Minas Gerais

Um dos três grupos profissionais mantidos pela Fundação Clóvis Salgado, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais foi criada no dia 02 de setembro de 1976. Entre os regentes titulares de sua história da, figuram os maestros Wolfang Groth, Emilio De César, Sérgio Magnani, Carlos Alberto Pinto da Fonseca, Aylton Escobar, David Machado, Afrânio Lacerda, Holger Kolodziej e Marcelo Ramos.

Também regeram a OSMG personalidades como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Cláudio Santoro, Camargo Guarnieri, Benito Juarez, Alceo Bocchino, Marc Trautman, Roberto Duarte, Carlos Prates, Per Brevig, Roberto Schnorremberg, Johannes Homberg, Eugene Kohne e outros célebres maestros convidados.

Desde sua criação a OSMG vem cumprindo o papel de difusora da música erudita para o grande público. Sempre aprimorando a excelência de sua performance, a OSMG diversificou sua atuação em óperas, balés, concertos, apresentações ao ar livre, na capital e no interior. Seu repertório abrange todos os períodos da música sinfônica, do barroco ao contemporâneo. Seu atual  regente titular é o maestro Roberto Tibiriçá, tendo Charles Roussin como assistente.


Serviço
Evento:
Série Sinfônica POP – OSMG e Wagner Tiso
Data: 29 de março
Horário: 20h30
Local: Grande Teatro
Valor: R$ 30,00 (inteira), R$ 15,00 (*meia-entrada)
Informações: (31) 3236-7400

CentoeQuatro lança projeto Novos Horizontes – revelações de jazz em BH

 Idealizado pelo músico Mauro Continentino, o projeto tem como objetivo apresentar e valorizar o talento de jovens músicos mineiros. Os convidados da primeira edição são Wagner Souza (trompete) e Yan Vasconcellos (contrabaixo), acompanham Mauro Continentino no piano acústico.

Localizado no hipercentro da cidade, cenário de reocupação cultural e de retomada da vida noturna, o Café 104, instalado no centro cultural CentoeQuatro, lança o projeto Novos Horizontes – revelações do jazz em BH.

Alinhado com a proposta do espaço cultural de ser um local aberto para a diversidade e experimentação, o projeto visa apresentar o talento de jovens músicos que se destacam pela criatividade e qualidade de seu trabalho. Idealizado pelo músico Mauro Continentino e pela coordenadora artística do centro cultural, Inês Rabelo o projeto pretende também valorizar o trabalho dos músicos mineiros e consolidar o espaço como um lugar para escutar um jazz sofisticado e de qualidade. Já passaram pelo palco do Café 104 o sexteto Paris Jazz Underground, o trio mexicano Los Mind Lagunas e outros importantes nomes como Juarez Moreira, The Florida Keys, Swiss College Dixie, Benny Goodman Centennial Band, Jorge Continentino, Mike Hashime Judy Carmichael, Chico Amaral, The New Loymakers e Harry Allen.

O projeto integra a cena da música instrumental que esteve ausente durante algumas décadas e nos últimos anos caiu no gosto dos jovens através dos diversos festivais de jazz que acontecem na cidade como o Savassi Festival, BH é Jazz, I Love Jazz, entre outros. A ideia é o aprimoramento de um trabalho que Mauro Continentino desenvolve desde novembro do ano passado no Café 104. Mauro convida músicos, faz a preparação e ensaios que resultam nas apresentações. Wagner Souza e Norton Ferreira estão entre os convidados. A carreira de Mauro Continentino começou aos 34 anos. Experiente músico da noite, teve com um de seus mestres o pianista João Donato. Comandou durante cerca de dez anos o Pianíssimo, casa de shows de sucesso na década de 80. Foi professor de três de seus filhos: Alberto, Jorge e Kiko, que hoje acompanham grandes nomes da música popular brasileira. Durante toda sua carreira se manteve tocando, sobretudo em bares e restaurantes, uma espécie de opção de vida. O projeto Novos Horizontes – revelações do jazz em BH acontece em três etapas: seleção dos músicos, master class e por fim, as apresentações ao público.

Através de uma curadoria musical bastante cuidadosa, a primeira etapa já foi realizada. Os músicos selecionados fazem parte de bandas de baile e das bandas do Exército e Aeronáutica. A preparação dos instrumentistas acontece no CentoeQuatro duas vezes por semana e duram entre 3 e 5 horas. Durante a master class os músicos falam sobre o jazz e suas várias vertentes e praticam harmonia, formação de acorde, improviso e repertório. As apresentações para o público, podem ser em duo ou outras formações e acontecem toda quarta-feira à noite. O projeto prevê a apresentação de pelo menos dois músicos (ou duas formações) a cada mês.

 O público pode conferir a qualidade musical e a sofisticação do jazz num espaço cuja própria arquitetura favorece a acústica e ainda desfrutar do charme de frequentar o centro da cidade. Como acompanhamento, o Café 104 oferece um cardápio eclético e despretensioso e uma carta de vinhos selecionada.

SERVIÇO

Lançamento do projeto Novos Horizontes – revelações do jazz em BH com apresentação de Mauro Continentino (piano acústico), Wagner Souza (trompete) e Yan Vasconcellos (contrabaixo)

Quarta-feira, 23 de março de 2011 Horário: 21h Couvert: R$10,00

Café 104 – Praça Ruy Barbosa, 104 – Centro – Belo Horizonte – MG Estacionamento: Av. Santos Dumont, 218 | Centro | Serviço de acompanhamento até o veículo | R$ 5,00 (preço único) Informações e reservas: 3222-6457

registro

Referência da música instrumental mineira e brasileira, o violonista Juarez Moreira grava seu primeiro DVD ao vivo, amanhã, dia 22 de março, no Grande Teatro do Palácio das Artes. Nos últimos anos, a gravação de DVD tem servido aos mais diferentes propósitos – alavancar a carreira de artistas numa fase ruim ou derradeira da carreira, expandir os lucros de factóides da música e mesmo alimentar o voyerismo de fãs afeitos a verem o próprio rosto (e ouvir o próprio grito) em telas de plasma mundo a fora.

Mas aqui a intenção é outra. O registro é uma forma de respeito a um instrumentista que enriqueceu o universo do violão e da guitarra e que terá sua técnica e criações a disposição de apreciadores e estudantes da boa música. Portanto, mais do que um produto comercial, veremos nas lojas em pouco tempo um produto cultural em sua melhor designação.

** O Nota Geraes vai presenciar a gravação e oferecer neste espaço, nos próximos dias, uma cobertura do show desse artista que, mesmo trabalhando com harmonias sofisticadas, possui canções de uma beleza assimilável a qualquer um com um pouco de sensibilidade.

Juarez Moreira apresenta, no dia 22 de março, um show com o apanhado de sua trajetória, às 21h no Grande Teatro do Palácio das Artes. Moreira é mineiro de Guanhães, violonista, guitarrista, compositor e arranjador que já se apresentou ao lado de grandes nomes da música brasileira como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Wagner Tiso, Toninho Horta e Lô Borges. Na noite que terá a gravação de seu DVD “ao vivo”, o músico recebe os ilustres convidados Wagner tiso (piano), Nivaldo Ornelas (saxofone), Toninho Horta (violão), André Dequech (piano), Esdra Neném (bateria), Kiko Mitre (contrabaixo) e Mauro Rodrigues (flauta), que o acompanham no palco. Nos últimos anos, Juarez Moreira tem se apresentado em diversos países como Estados Unidos, França, Venezuela, Portugal, Itália, Argentina, Venezuela e Finlândia, com shows e masterclasses. Sua musicografia compreende 11 CD’s gravados.

Serviço

Evento: Show Juarez Moreira

Data: 22 de março

Horário: 21h

Local: Grande Teatro Valor: R$ 8,00 (inteira), R$ 4,00 (*meia-entrada)

Duranção: 1h15 Classificação etária: livre Informações: (31) 3236-7400

Paulo Moura eterno

MÚSICA ETERNA
Biscoito Fino lança ‘Alento’, último CD de Paulo Moura, gravado com o Teatro do Som

Há cinco anos, Paulo Moura convidou Paulo Martins, do Teatro do Som, para fazer um disco juntos. O projeto começou a nascer já em 2005, as gravações se estenderam até 2009, mas quis o destino que o lançamento se desse após a morte do grande músico, que aconteceu em julho deste ano. E agora, finalmente chega às lojas Alento (Biscoito Fino), último disco gravado pelo artista.

 

Paulo Moura conheceu Paulo Martins em 1974, quando foi seu professor de flauta. De lá para cá, não se perderam mais de vista e quando Paulo Martins fundou o Teatro do Som, em 1985, Paulo Moura foi um eterno incentivador e participou de todos os discos lançados pelo grupo até hoje. O trabalho que celebra este encontro traz quatro composições inéditas do próprio Paulo Moura (em parceria com os músicos do grupo), além de quatro músicas pouco conhecidas de Alex Meirelles e uma canção pescada do baú do Paulo Moura, Mulatas e etc.

O Teatro do Som é formado por Alex Meirelles (teclados e programações, sintetizador, baixo sintetizado, percussão e voz), Marcos Zama (percussão), Paulo Martins (flauta e sintetizador), Ricardo Feijão (violão e baixo). Alento traz também as participações especiais de Marcio Malard (cello), Ricardo Silveira (violão e guitarra), Alessandro Bebe Kramer (acordeom), Daniel Guedes (violino) e Gabriel Grossi (gaita).

ALENTO

Um retrato de Paulo Moura? No palco, seu lugar de vida e ressurreição. E devêssemos começar pelo pé direito torcido em ponta de bailarino, esforço de afinação – para mover-se até o canto esquerdo dos lábios, largo sorriso escancarado. Depois estender-se até o dedo médio da mão que indica o trecho musical no compasso dos ensaios. E afastar-se, até enquadrá-lo por inteiro, gênio em alma de criança, jeito sem jeito de extrema sensualidade, surpreendido refestelado em colo de moça cheirosa.
Paulo é detalhe inusitado. Improvisando em corpo próprio melodias e modulações musicais que não termina de provocar. Não toca clarineta nem sax. É ele o instrumento, corpo inundado de suavidade, peito fluindo precisão e refinamento.
Como fazer para combinar os extremos? A experiência familiar humilde afro-descendente com a ocidentalidade da música erudita, de Beethoven aos desenhos contemporâneos de Luciano Lughetti. Pierr Boulez Talvez, deixar a luz pousar no azul surpreendente do olhar colorindo a pele de Moura. Contraste. Criação.
Paulo é ato em pleno voo, quase chegando. Onde? Em ideal de estética e técnica, anseio maior.
Ou simplesmente buscando companhia escolhida para o vinho que teima ser estrangeiro e o queijo de excelente estirpe. Não. Talvez esteja no outro extremo da cidade, é que aceitou convite do guardador de carros, outro fã, um café no balcão ao pé da esquina. Curioso. Meticuloso.
De repente, afobadinho. Andar pairando sobre nuvens de algodão branco que buscavam sua imaginação, desenhos de criador.
Mas, acima de tudo, Paulo é sopro, alento vital, ternura. Som feito de carne e espiritualidade.
Mistura inexplicável.
Entre vida e música, Paulo Moura fazia nenhuma diferença. Resistiu, entre dores e esperanças, durante seis longos anos a uma doença fatal. Enquanto pode soprar, inventava, estudava, mergulhava a cada manhã em partituras de grandes compositores contemporâneos e seu eterno Beethoven.
Gata siamesa ao colo, subia e descia as escadas: o estúdio, no piso térreo da casa, e a cozinha no segundo andar, onde petiscava as frutas maduras da estação – a cada duas horas. Praticava escalas, ensaiava o repertório do próximo show, burilava arranjos no computador, e quando tinham sede, regava com fios de água os tufos de renda portuguesa nascendo sob o canteiro da ampla janela com vistas ao mar de São Conrado. Assim passava-se a manhã.
À tarde, quando não estava em turnê ou ensaios, dizia uma vez por semana: “Vou até à casa do Paulinho”. Tradução: “Vou encontrar com Paulo Martins, Leandro Verdeal e Alex Meirelles para pesquisar sonoridades – eles têm paciência comigo.” Admirava-se que não se entediassem com os intermináveis detalhes harmônicos, a exigência de refinar o sopro, regular a orquestração, a inquietação com a desenho melódico, a mescla de sons sintetizados, o acrescentar de instrumentos
e timbres. Jogar música fora era maneira de conversar e estar entre nós.
Agora, aí está a gravação destas tardes e a companhia dos amigos músicos, os componentes do Teatro do Som. Em cada faixa deste CD, uma reflexão musical, um experimento.

Por Halina Grynberg

*No site da Biscoito Fino é possível ouvir techos das feixas de Alento.

**E como alento para a falta que Paulo Moura faz, veja por que ele era considerado o maior clarinetista brasileiro.