69 anos de Milton e seus tons geniais

Em 26 de outubro de 1942, seria preciso silenciar todas as ondas do mar do Rio de Janeiro para receber um nascimento diferente, mesmo dentre uma das gerações mais brilhantes da música mundial. Se Deus é carioca, sua voz dava os primeiros dissonantes ali. Elis Regina sentenciou, não em tom de gracejo, que “se Deus cantasse, seria com a voz de Milton Nascimento”.

Mas foi em Minas onde ele encontrou as texturas afetivas que o fizeram ser não só inventivo e original, mas um movimento musical em si, como comprovou Caetano Veloso. E isso não é pouco pra quem encabeçou um movimento como o Clube da Esquina. As raízes mineiras estão muito bem desenhadas em seu cancioneiro construído em mais de 50 anos de carreira. E seus frutos estão espalhados por todo o mundo, reverenciado até mesmo pelos maiores nomes do jazz de ontem (Hancock, Shorter) e de hoje (Esperanza Spolding).

Mas nada melhor do que ouvir o que ele mesmo deseja que seja feito disso tudo, seu Testamento.

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Dori Caymmi traz novo trabalho à capital mineira

em uma de suas raras apresentações em Minas Gerais, compositor traz show do novo CD inteiramente de parcerias com Paulo César Pinheiro

Há vinte anos Dori Caymmi vive nos Estados Unidos, país onde diz ver mais “punição e civilidade”, frente à esculhambação geral brasileira, na qual também observa uma perda constante da identidade que vivenciou outrora. Mas o amor à pátria não se restringe aos pés de goiaba e tangerina que possui em seu quintal acima no hemisfério norte. Dori continua sendo um dos mais requintados e inventivos compositores brasileiros.

Por isso, é bom não desperdiçar a oportunidade de vê-lo em uma de suas raras vindas ao país e a Minas Gerais, sobretudo. Por aqui ele apresenta a produção de seu último disco, “Poesia Musicada”, todo ele com letras de Paulo César Pinheiro.  Essa parceria vem sendo lapidada há mais de 40 anos, tendo rendido preciosidades do cancioneiro popular como “Desenredo” e “Rio Amazonas”. Na sequência, confira a interpretação desta por Zé Renato e Renato Braz (que tem o luxuoso violão de Dori em vários de seus discos).

O disco traz uma homenagem a seu pai, Dorival Caymmi, falecido em 2008. A letra da faixa “Rede” foi escrita por Pinheiro no dia da morte do mestre baiano. Mas a linhagem de Dori não se resume ao gene paterno. Como ele próprio enumerou, suas influências vão de Debussy, Jobim, Villa Lobos, Miles Davis, Coltrane, Piazzola e Gill Evans, passando pela pintura de Di Cavalcanti e pela literatura de Jorge Amado e Guimarães Rosa. A valorização da prosa desses mostra um traço único de Dori: a capacidade de harmonizar as riquezas culturais baianas e mineiras em seu violão.

Vale a pena também um passeio pelo site de Dori, que além das obrigatórias biografia, discografia e prêmios, traz letras e partituras originais.

Já pra quem estiver em BH na próxima quinta-feira, 27 de outubro, o show tem mais um ponto positivo: o valor da entrada. Por apenas R$20 (inteira), vai ser possível presenciar uma das maiores sumidades da música brasileira pós-jobim.

Serviço:

Projeto: Show das Sete apresenta Dori Caymmi – Poesia Musicada

Local: Grande Teatro do SESC Palladium – Rua Rio de Janeiro, 1046

Data: 27 de Outubro 

Horário: 19 horas

Valor: R$20 inteira e R$10 meia entrada.

Contato: 3214-5350

Ingressos a venda no local

Mais informações: www.veredasproducoes.com.br