INSTRUMENTAL, A NOVA VOZ DA MÚSICA MINEIRA

fotos de Élcio Paraíso

 

foto: Élcio Paraíso

Festivais e prêmios têm, na grande maioria das vezes, a marca negativa de acirrar desnecessariamente o espírito competitivo entre os concorrentes e deixar um ar de injustiça quanto ao resultado final. Mas não foi isso o que se viu nas noites de 30 e 31 de março e primeiro de abril no Teatro Sesiminas em Belo Horizonte. O XII Prêmio BDMG Instrumental levou 12 grandes artistas ao palco – exatamente na edição realizada no ano de 2012 – e mostrou uma diversidade enorme de propostas musicais com altíssimo nível de execução.

Assim como o jazz, a música instrumental não tem modelos ou regras, apenas referências que se abrem a um universo infinito de possibilidades harmônicas e rítmicas. Cada um dos concorrentes mostrou um pouco dessas nuances, seja evocando baião, samba, experimentalismos ou mesmo o jazz – as influências evocadas e anunciadas iam de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti a Chris Potter. E isso reflete exatamente uma geração especial da cena instrumental belorizontina, já que, apesar de variações estilísticas, muitos ali são amigos e compartilham formações na noite dos bares (grande escola para quase todos) e projetos artísticos. Isso foi visível não só para quem acompanha a cena mineira, bastando ter verificado que não foram raros os instrumentistas que acompanharam mais de um concorrente.

E exatamente pelo alto nível presenciado, excelentes candidatos ficaram pelo caminho, como o saxofonista Sérgio Danilo, que apresentou composições envolventes com influências declaradas de gafieira e fez uma homenagem a K-ximbinho, com “Ternurinha”, num lindo arranjo acompanhado pelo violão de sete cordas de Thiago Delegado (um dos vencedores da edição de 2011).

A grande final, que levou seis concorrentes da primeira noite e dois da segunda, mostrou uma constatação da música instrumental: não basta ser um virtuose (característica compartilhada por quase todos selecionados), há que se ter um diferencial. Nesse sentido, um dos pontos mais bacanas do Prêmio BDMG é a exigência de que dois dos três temas sejam composições próprias e o terceiro um arranjo. Com isso, descortinam-se criadores excepcionais. Outro ponto interessante é não ter um único vencedor, mas sim quatro, que além de R$9 mil, terão direito a um show em BH e outro em SP, através do Sesc TV, com convidados especiais. Mesmo os dois finalistas não premiados deixaram ótima impressão. Walmir Carvalho, ao saxofone, mostrou elegância e fez uma releitura do mestre Moacir Santos. Já o também saxofonista Bernardo Frabris, com grande domínio, passou de influências do Clube da Esquina e Jazz ao rock progressivo.

foto: Élcio Paraíso

Mas não dá pra questionar os méritos do quarteto vencedor. Gilson Brito foi o candidato com maior pontuação. Na saída do teatro, o juri (formado por feras como Teco Cardoso, do Quarteto Pau Brasil, e Mauro Rodrigues) ainda tentava digerir a técnica fabulosa do goiano (o edital do prêmio exige que o candidato seja residente em Minas), que aprontou as maiores estripulias ao violão sem transtejar uma nota sequer – um desafio enorme em performances complexas. Gilson, que levou para o palco um pouco de sua trajetória erudita, foi acompanhado pelo clarinete de Matteo Ricciardi, eleito como o melhor instrumentista da edição, destacando-se na interpretação de Beatriz (Chico Buarque e Edu Lobo), que arrancou lágrimas da platéia.

foto: Élcio Paraíso

Merecida também a escolha de Thiago Nunes. O guitarrista mineiro tira um som ao mesmo tempo discreto e arrojado de sua guitarra, no melhor estilo da escola de Toninho Horta. Não por acaso, na hora de fazer uma releitura, optou por “Francisca”, de Toninho.

Como compositor ele também passa com boa desenvoltura do universo de influências locais para o jazz – o instrumentista teve aulas em Nova York com dois ícones do gênero, Jack Wilkins e Lage Lund. Resultado disso foi uma apresentação agradabilíssima e de alto nível.

Élcio Paraíso

O maior premiado do XII BDMG Instrumental foi Rafael Martini (mais do que merecido, aos ouvidos do Notas Geraes). O pianista foi aquele que demonstrou maior inventividade nas composições, sem exibicionismos. A banda (piano, bateria, contrabaixo, clarinete, clarone e flautas) foi explorada num experimentalismo que conjugava raro calor e catarse de público. A proposta diferenciada para o grupo também foi reconhecida com o prêmio de melhor instrumentista acompanhante para o baterista Antônio Loureiro.

No último tema, uma síntese da dialética de Rafael: um magistral arranjo de “Tempo do Mar”, composição pouco conhecida de Tom Jobim que adentra profundezas onde só o maestro soberano poderia chegar. A releitura rendeu a Martini um segundo prêmio do júri, de melhor arranjo.

E para fechar o quarteto vencedor, Pablo Dias. Tanto no anúncio final quanto nas duas apresentações (seletiva e final), o jovem de 20 anos foi ovacionado pelo público – em parte por seu carisma no palco e pelas divertidíssimas entrevistas que concedeu no intervalo (salvando a proposta sonolenta de bate-papo com os concorrentes). Mas não há dúvidas, a revelação – no sentido mais verdadeiro – do festival é realmente um fenômeno. O talento nato do cavaquinista foi refinado tocando em bares com grupos de samba e chorinho na Praça Sete.

O domínio do instrumento é impressionante, lembrando Yamandu Costa e Hamilton de Holanda (o primeiro ele já acompanhou; e o segundo é seu ídolo, que ele pretende ter como convidado no show para o Sesc TV, “se o cachê der”). Mas o que ninguém esperava era presenciar duas composições instrumentais tão maduras e virtuosas. A escolha de “Passarim” para finalizar seu número também demonstrou sensibilidade de repertório.

Pablo se dizia maravilhado por poder estar em um mesmo festival que seus ídolos (ele é aluno de Thiago Nunes). E é exatamente ali que ele pretende ficar. Disse que uma hora gostaria de ser íntimo e poder chamar tantos feras pelo apelido, assim como os instrumentistas se relacionavam nos bastidores. E esse momento não demorou a chegar. Após a noite de premiação, muitos vencedores, acompanhados de amigos, e jurados seguiram para a tradicional Casa dos Contos. Em mesas lado a lado, em pouco tempo ele já tinha ganhado a admiração e amizade de Wagão e Juá. Wagão é Wagner Tiso, presidente do júri da edição do prêmio; e Juá é Juarez Moreira, que fez a seleção dos concorrentes iniciais do festival.

Com a noite conduzida pelo vinho, Juarez Moreira buscava contextualizar o atual estágio da música mineira para o crítico e poeta Antônio Carlos Miguel (também jurado do festival). “Esse pessoal é quem conseguiu realmente dar continuidade e reinventar a seu modo o legado de qualidade musical deixado pelo Clube da Esquina”, analisou o guitarrista, violonista e compositor. “E mesmo tendo focado nas canções, nós sempre tivemos a música instrumental ali dentro do Clube da Esquina”, lembrou o pianista e arranjador, fisgando os nomes de Nivaldo Ornelas e Hélvius Vilela para esse exemplo.

Todos os concorrentes se dizem muito confortáveis produzindo em Belo Horizonte – esse ano diversos álbuns serão lançados (como o de Rafael Martini), nos quais muitos deles se revezam como artista solo e acompanhante. E com um cenário como esse, é aqui que eles pretendem ficar. Pelo visto, depois de mais de 120 anos da capital mineira, parece ser a música instrumental a romper o legado (ou maldição) de vermos nossos maiores artistas obrigados a fazer carreira em outras freguesias (os exemplos vão dos modernistas, como Drummond, ao Clube da Esquina). E uma voz que se afirma com muito talento e personalidade.

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Festa da Música 2011 – Belo Horizonte

15/07/2011 – Sexta-feira

Praça do Papa

19h30 Happy Feet Jazz Band

21h Zimbo Trio


16/07/2011 – Sábado

Feira Tom Jobim

11h Cabral – Vozes do Morro
13h Ki-Doçura – Vozes do Morro
15h Mestre Samba

Museu de Artes e Ofícios

19h Celso Moreira e Cléber Alves

Praça Nova da Pampulha

18h Jairo de Lara

19h30 Pascoal Meirelles Quarteto

21h Nivaldo Ornelas – Tributo a John Coltrane

Praça do Papa

18h Tambolelê

19h30 Esdra “Neném” Ferreira

21h Aline Calixto – Lançamento do CD “Flor Morena”


17/07/2011 – Domingo

Museu de Artes e Ofícios

19h Gilvan de Oliveira

Praça Nova da Pampulha

16h Batuque Salubre

17h Histórias da Arca – Ana Cristina e Grupo

18h30 Curupaco

Praça do Papa

17h Cristiano Vianna e Marcelo Chiaretti

18h30 Maíra Freitas

20h João Donato e Trio


18/07/2011 – Segunda-feira

Praça da Liberdade

18h30 Humberto Junqueira

20h Paulo Bellinati e Weber Lopes

21h Badi Assad


19/07/2011 – Terça-feira

Praça da Liberdade

18h30 Chico Bastos – Prêmio BDMG

20h Alexandre Gismonti Trio

21h Celso Fonseca


20/07/2011 – Quarta-feira

Praça da Liberdade

18h30 Sarau Brasileiro

20h Luis Leite – Prêmio BDMG

21h Três Estações – CAYMMI – Geraldo Vianna, Fernando Brant e Amaranto


21/07/2010 – Quinta-feira

Praça da Liberdade

18h30 Wagner de Souza – Prêmio BDMG

20h Guilherme Ribeiro Quarteto

21h Nó em Pingo D’Água


22/07/2011 – Sexta-feira

Museu de Artes e Ofícios

19h Sylvia Klein

Praça Floriano Peixoto

19h30 Juarez Moreira Trio

21h Gilson Peranzzetta, Mauro Senise – Lançamento do CD “Noel Rosa 100 Anos” – participação especial Alaíde Costa

Praça do Papa

19h30 Thiago Delegado – Prêmio BDMG

21h AZYMUTH


23/07/2011 – Sábado

Praça da Saúde

11h Domingos do Cavaco -Vozes do Morro

13h Samba de Quintal – Vozes do Morro

Feira Tom Jobim

11h Ausier Vinícius convida Sampaio do Trombone

13h  Daniela Spielmann convida Áurea Martins – Show Gafieirando

15h Os Matutos – Orquestra de Choro

Praça Floriano Peixoto

18h Bernardo Fabris

19h30 SambaJazz Trio Convida Paulinho Trompete

21h Jaques Morelembaum

Praça do Papa

18h Jessé Sadoc

19h30 Zé da Velha e Silvério Pontes

21h BOSSACUCANOVA


24/07/2011 – Domingo

Praça do Papa

17h Enéias Xavier

18h30 Célio Balona

20h Orquestra Cabaré

AGENDA INSTRUMENTAL – CLÉBER ALVES

CLÉBER ALVES FAZ SHOW DE LANÇAMENTO DE “VENTOS DO BRASIL” NA SÉRIE BH INSTRUMENTAL

O saxofonista, compositor e arranjador mineiro Cléber Alves é a atração de junho do da Série BH Instrumental. O projeto, que  traz ao público mineiro  concertos públicos e gratuitos, com instrumentistas de primeira linha, acontece mensalmente, alternando o endereço entre as praças Floriano Peixoto e Praça da Saúde.

A única apresentação de Cléber Alves será no dia 13 de maio, na Praça Floriano Peixoto, em Santa Efigênia, às 20 horas.

A Série BH Instrumental é uma realização da Veredas Produções em parceria com o Instituto Unimed-BH, através de doações de pessoas físicas e conta com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, fazendo parte do Circuito UNIMED-BH.

O show de Cléber Alves marca o lançamento de seu novo CD, “Ventos do Brasil”. Ele toca acompanhado por uma banda de primeira, com  André “Limão” Queiroz (bateria); Enéias Xavier (baixo acústico); Marcos Flávio (trombone); Roberto Júnior (sax barítono e tenor) e Chico Amaral (sax alto e tenor), e conta com participações especialíssimas de amigos e mestres: Carlos Malta (flauta e sax), Mauro Rodrigues (flauta), Nivaldo Ornellas (sax tenor) e Teco Cardoso (flauta e sax).

“Ventos do Brasil” é o resultado de uma pesquisa que utiliza uma formação correspondente a de banda de música, expressão comum da cultura mineira. Nele, os sopros vêm acompanhados de bateria e contrabaixo, em substituição à percussão e à tuba, características da banda. Também não são utilizados instrumentos de harmonia como o piano, o violão ou a guitarra. Os arranjadores ficam livres para fazer propostas e escolhas, e participam com suas composições autorais. “O trabalho é feito a partir do encontro de músicos vindos de uma mesma origem. Buscamos criar uma unidade que ressalta nossa diversidade sonora”, afirma Cléber Alves.

Dois mestres da música instrumental assinam os arranjos: Nivaldo Ornellas e Paulo Moura, ambos saxofonistas que marcaram a geração dos anos 80 e influenciaram vários outros que vieram posteriormente entre eles, Carlos Malta e Teco Cardoso, também saxofonistas que até hoje contribuem com seus trabalhos para a sonoridade do sax, além do flautista e pesquisador Mauro Rodrigues.

Compositor, arranjador e instrumentista Cléber foi aluno de Nivaldo Ornellas e Paulo Moura e construiu uma carreira sólida, com uma mistura criativa de técnica impecável, bom gosto nas interpretações e composições ricas e originais. 

Boa parte de sua formação foi durante os dez anos em que morou na Alemanha. Ele fez graduação e mestrado em jazz e música popular na Universidade de Mùsica de Stuttgart . E lá mesmo lançou dois discos excepcionais: “Temperado” e “Saxophonisches Ensemble B”.

De volta ao Brasil, gravou “Revinda”, que mereceu o Prêmio Marco Antonio Araújo de Melhor Disco Instrumental de 2006.

Na Alemanha, tocou em festivais de jazz onde participaram músicos como Bobby McFerrin, Lionel Hampton, Chucho Valdés, Ralph Towner, John Taylor, Jerry Bergonzi, entre outros. Ainda na Europa participou de shows na Suíça, Holanda, França e Espanha.

No  Brasil, grava e toca ao lado de músicos como Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Juarez Moreira, Wagner Tiso,Túlio Mourão, Chico Amaral, Ed Motta, Flávio Henrique, Weber Lopes, Sérgio Santos, Zeca Assumpção, André Mehmari, Toninho Ferragutti, Alda Rezende, Gilvan de Oliveira, Hamilton de Yolanda, Paulinho Pedra Azul, Selma Carvalho e outros.

Participou do Festival “Tudo é Jazz” de Ouro Preto com seu trabalho solo, como instrumentista nos shows de Túlio Mourão, Chico Amaral, Alda Rezende e como solista da bigband da compositora e arranjadora Maria Schneider.

Em 2008 sua participação no “Tudo é Jazz” aconteceu na noite de Milton Nascimento, tocando com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais ao lado dos cantores Pedro Morais, Kadu Vianna, Júlia Ribas e outros.

Tocou também no TIM Festival de Valadares, Festival de Jazz de Ipatinga, Savassi Festival em BH e Festa da Música de Belo Horizonte.

Faz, constantemente, turnês pela Alemanha e por outros países da Europa.

-SERVIÇO-

PROJETO SÉRIE BH INSTRUMENTAL APRESENTA CLÉBER ALVES

Lançamento do CD “Ventos do Brasil”

Convidados:

Carlos Malta( Flauta e Sax), Mauro Rodrigues(Flauta), Nivaldo Ornelas(Sax Tenor), Teco Cardoso(Flauta e Sax). 

Banda:  André Queiroz – Bateria

              Enéias Xavier – Baixo Acústico.

              Marcos Flávio – Trombone

              Roberto Júnior – Sax Barítono e Tenor. 

              Chico Amaral – Sax alto e tenor. 

Praça Floriano Peixoto – Santa Efigênia

Dia  13 de Maio – Sexta-Feira – às 20  horas

Informações- 3222 5271

Apoio Institucional: Instituto Unimed BH

Entrada Franca

AGENDA INSTRUMENTAL – ESTRÉIA DA SÉRIE SINFÔNICA POP CONVIDA WAGNER TISO

A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais lança, no dia 29 de março, seu mais recente projeto: a Série Sinfônica POP. Serão diversos concertos apresentados no Grande Teatro do Palácio das Artes, em que a OSMG, sob regência do maestro Roberto Tibiriçá, recebe convidados ilustres.

 Para a estreia, o compositor e instrumentista Wagner Tiso sobe ao palco para executar junto da Orquestra canções de sua própria autoria e de renomados compositores brasileiros.


A Serie Sinfônica POP tem o intuito de aproximar os públicos da música popular brasileira e dos concertos sinfônicos. Os programas são repletos de obras que marcaram a cena musical brasileira, em arranjos especiais para orquestra. Em julho quem sobe ao palco do Grande Teatro junto da OSMG é a cantora Zizi Possi, nos dias 19 e 20. Ivan Lins fecha a temporada 2011 da Série, no dia 27 de setembro.

Programa

Parte IWagner Tiso
Cenas Brasileiras – 42′
Mata Burro – 7 Tempos
Lenda do Boto
Olinda Guanabara
Trens
Modas, Mineiro Pau
Frevo

Tom Jobim
Eu sei que vou te amar – 7′
 
(arranjo de Wagner Tiso)


INTERVALOParte II

Dolores Duran
Por causa de você – 4′
(arranjo de Wagner Tiso)

Wagner Tiso
Chorata – 20′
Choro de Mãe
Chorava
Aos Velhos Amigos

 

 

 
Orquestra Sinfônica de Minas Gerais

Um dos três grupos profissionais mantidos pela Fundação Clóvis Salgado, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais foi criada no dia 02 de setembro de 1976. Entre os regentes titulares de sua história da, figuram os maestros Wolfang Groth, Emilio De César, Sérgio Magnani, Carlos Alberto Pinto da Fonseca, Aylton Escobar, David Machado, Afrânio Lacerda, Holger Kolodziej e Marcelo Ramos.

Também regeram a OSMG personalidades como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Cláudio Santoro, Camargo Guarnieri, Benito Juarez, Alceo Bocchino, Marc Trautman, Roberto Duarte, Carlos Prates, Per Brevig, Roberto Schnorremberg, Johannes Homberg, Eugene Kohne e outros célebres maestros convidados.

Desde sua criação a OSMG vem cumprindo o papel de difusora da música erudita para o grande público. Sempre aprimorando a excelência de sua performance, a OSMG diversificou sua atuação em óperas, balés, concertos, apresentações ao ar livre, na capital e no interior. Seu repertório abrange todos os períodos da música sinfônica, do barroco ao contemporâneo. Seu atual  regente titular é o maestro Roberto Tibiriçá, tendo Charles Roussin como assistente.


Serviço
Evento:
Série Sinfônica POP – OSMG e Wagner Tiso
Data: 29 de março
Horário: 20h30
Local: Grande Teatro
Valor: R$ 30,00 (inteira), R$ 15,00 (*meia-entrada)
Informações: (31) 3236-7400

CentoeQuatro lança projeto Novos Horizontes – revelações de jazz em BH

 Idealizado pelo músico Mauro Continentino, o projeto tem como objetivo apresentar e valorizar o talento de jovens músicos mineiros. Os convidados da primeira edição são Wagner Souza (trompete) e Yan Vasconcellos (contrabaixo), acompanham Mauro Continentino no piano acústico.

Localizado no hipercentro da cidade, cenário de reocupação cultural e de retomada da vida noturna, o Café 104, instalado no centro cultural CentoeQuatro, lança o projeto Novos Horizontes – revelações do jazz em BH.

Alinhado com a proposta do espaço cultural de ser um local aberto para a diversidade e experimentação, o projeto visa apresentar o talento de jovens músicos que se destacam pela criatividade e qualidade de seu trabalho. Idealizado pelo músico Mauro Continentino e pela coordenadora artística do centro cultural, Inês Rabelo o projeto pretende também valorizar o trabalho dos músicos mineiros e consolidar o espaço como um lugar para escutar um jazz sofisticado e de qualidade. Já passaram pelo palco do Café 104 o sexteto Paris Jazz Underground, o trio mexicano Los Mind Lagunas e outros importantes nomes como Juarez Moreira, The Florida Keys, Swiss College Dixie, Benny Goodman Centennial Band, Jorge Continentino, Mike Hashime Judy Carmichael, Chico Amaral, The New Loymakers e Harry Allen.

O projeto integra a cena da música instrumental que esteve ausente durante algumas décadas e nos últimos anos caiu no gosto dos jovens através dos diversos festivais de jazz que acontecem na cidade como o Savassi Festival, BH é Jazz, I Love Jazz, entre outros. A ideia é o aprimoramento de um trabalho que Mauro Continentino desenvolve desde novembro do ano passado no Café 104. Mauro convida músicos, faz a preparação e ensaios que resultam nas apresentações. Wagner Souza e Norton Ferreira estão entre os convidados. A carreira de Mauro Continentino começou aos 34 anos. Experiente músico da noite, teve com um de seus mestres o pianista João Donato. Comandou durante cerca de dez anos o Pianíssimo, casa de shows de sucesso na década de 80. Foi professor de três de seus filhos: Alberto, Jorge e Kiko, que hoje acompanham grandes nomes da música popular brasileira. Durante toda sua carreira se manteve tocando, sobretudo em bares e restaurantes, uma espécie de opção de vida. O projeto Novos Horizontes – revelações do jazz em BH acontece em três etapas: seleção dos músicos, master class e por fim, as apresentações ao público.

Através de uma curadoria musical bastante cuidadosa, a primeira etapa já foi realizada. Os músicos selecionados fazem parte de bandas de baile e das bandas do Exército e Aeronáutica. A preparação dos instrumentistas acontece no CentoeQuatro duas vezes por semana e duram entre 3 e 5 horas. Durante a master class os músicos falam sobre o jazz e suas várias vertentes e praticam harmonia, formação de acorde, improviso e repertório. As apresentações para o público, podem ser em duo ou outras formações e acontecem toda quarta-feira à noite. O projeto prevê a apresentação de pelo menos dois músicos (ou duas formações) a cada mês.

 O público pode conferir a qualidade musical e a sofisticação do jazz num espaço cuja própria arquitetura favorece a acústica e ainda desfrutar do charme de frequentar o centro da cidade. Como acompanhamento, o Café 104 oferece um cardápio eclético e despretensioso e uma carta de vinhos selecionada.

SERVIÇO

Lançamento do projeto Novos Horizontes – revelações do jazz em BH com apresentação de Mauro Continentino (piano acústico), Wagner Souza (trompete) e Yan Vasconcellos (contrabaixo)

Quarta-feira, 23 de março de 2011 Horário: 21h Couvert: R$10,00

Café 104 – Praça Ruy Barbosa, 104 – Centro – Belo Horizonte – MG Estacionamento: Av. Santos Dumont, 218 | Centro | Serviço de acompanhamento até o veículo | R$ 5,00 (preço único) Informações e reservas: 3222-6457

registro

Referência da música instrumental mineira e brasileira, o violonista Juarez Moreira grava seu primeiro DVD ao vivo, amanhã, dia 22 de março, no Grande Teatro do Palácio das Artes. Nos últimos anos, a gravação de DVD tem servido aos mais diferentes propósitos – alavancar a carreira de artistas numa fase ruim ou derradeira da carreira, expandir os lucros de factóides da música e mesmo alimentar o voyerismo de fãs afeitos a verem o próprio rosto (e ouvir o próprio grito) em telas de plasma mundo a fora.

Mas aqui a intenção é outra. O registro é uma forma de respeito a um instrumentista que enriqueceu o universo do violão e da guitarra e que terá sua técnica e criações a disposição de apreciadores e estudantes da boa música. Portanto, mais do que um produto comercial, veremos nas lojas em pouco tempo um produto cultural em sua melhor designação.

** O Nota Geraes vai presenciar a gravação e oferecer neste espaço, nos próximos dias, uma cobertura do show desse artista que, mesmo trabalhando com harmonias sofisticadas, possui canções de uma beleza assimilável a qualquer um com um pouco de sensibilidade.

Juarez Moreira apresenta, no dia 22 de março, um show com o apanhado de sua trajetória, às 21h no Grande Teatro do Palácio das Artes. Moreira é mineiro de Guanhães, violonista, guitarrista, compositor e arranjador que já se apresentou ao lado de grandes nomes da música brasileira como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Wagner Tiso, Toninho Horta e Lô Borges. Na noite que terá a gravação de seu DVD “ao vivo”, o músico recebe os ilustres convidados Wagner tiso (piano), Nivaldo Ornelas (saxofone), Toninho Horta (violão), André Dequech (piano), Esdra Neném (bateria), Kiko Mitre (contrabaixo) e Mauro Rodrigues (flauta), que o acompanham no palco. Nos últimos anos, Juarez Moreira tem se apresentado em diversos países como Estados Unidos, França, Venezuela, Portugal, Itália, Argentina, Venezuela e Finlândia, com shows e masterclasses. Sua musicografia compreende 11 CD’s gravados.

Serviço

Evento: Show Juarez Moreira

Data: 22 de março

Horário: 21h

Local: Grande Teatro Valor: R$ 8,00 (inteira), R$ 4,00 (*meia-entrada)

Duranção: 1h15 Classificação etária: livre Informações: (31) 3236-7400

Paulo Moura eterno

MÚSICA ETERNA
Biscoito Fino lança ‘Alento’, último CD de Paulo Moura, gravado com o Teatro do Som

Há cinco anos, Paulo Moura convidou Paulo Martins, do Teatro do Som, para fazer um disco juntos. O projeto começou a nascer já em 2005, as gravações se estenderam até 2009, mas quis o destino que o lançamento se desse após a morte do grande músico, que aconteceu em julho deste ano. E agora, finalmente chega às lojas Alento (Biscoito Fino), último disco gravado pelo artista.

 

Paulo Moura conheceu Paulo Martins em 1974, quando foi seu professor de flauta. De lá para cá, não se perderam mais de vista e quando Paulo Martins fundou o Teatro do Som, em 1985, Paulo Moura foi um eterno incentivador e participou de todos os discos lançados pelo grupo até hoje. O trabalho que celebra este encontro traz quatro composições inéditas do próprio Paulo Moura (em parceria com os músicos do grupo), além de quatro músicas pouco conhecidas de Alex Meirelles e uma canção pescada do baú do Paulo Moura, Mulatas e etc.

O Teatro do Som é formado por Alex Meirelles (teclados e programações, sintetizador, baixo sintetizado, percussão e voz), Marcos Zama (percussão), Paulo Martins (flauta e sintetizador), Ricardo Feijão (violão e baixo). Alento traz também as participações especiais de Marcio Malard (cello), Ricardo Silveira (violão e guitarra), Alessandro Bebe Kramer (acordeom), Daniel Guedes (violino) e Gabriel Grossi (gaita).

ALENTO

Um retrato de Paulo Moura? No palco, seu lugar de vida e ressurreição. E devêssemos começar pelo pé direito torcido em ponta de bailarino, esforço de afinação – para mover-se até o canto esquerdo dos lábios, largo sorriso escancarado. Depois estender-se até o dedo médio da mão que indica o trecho musical no compasso dos ensaios. E afastar-se, até enquadrá-lo por inteiro, gênio em alma de criança, jeito sem jeito de extrema sensualidade, surpreendido refestelado em colo de moça cheirosa.
Paulo é detalhe inusitado. Improvisando em corpo próprio melodias e modulações musicais que não termina de provocar. Não toca clarineta nem sax. É ele o instrumento, corpo inundado de suavidade, peito fluindo precisão e refinamento.
Como fazer para combinar os extremos? A experiência familiar humilde afro-descendente com a ocidentalidade da música erudita, de Beethoven aos desenhos contemporâneos de Luciano Lughetti. Pierr Boulez Talvez, deixar a luz pousar no azul surpreendente do olhar colorindo a pele de Moura. Contraste. Criação.
Paulo é ato em pleno voo, quase chegando. Onde? Em ideal de estética e técnica, anseio maior.
Ou simplesmente buscando companhia escolhida para o vinho que teima ser estrangeiro e o queijo de excelente estirpe. Não. Talvez esteja no outro extremo da cidade, é que aceitou convite do guardador de carros, outro fã, um café no balcão ao pé da esquina. Curioso. Meticuloso.
De repente, afobadinho. Andar pairando sobre nuvens de algodão branco que buscavam sua imaginação, desenhos de criador.
Mas, acima de tudo, Paulo é sopro, alento vital, ternura. Som feito de carne e espiritualidade.
Mistura inexplicável.
Entre vida e música, Paulo Moura fazia nenhuma diferença. Resistiu, entre dores e esperanças, durante seis longos anos a uma doença fatal. Enquanto pode soprar, inventava, estudava, mergulhava a cada manhã em partituras de grandes compositores contemporâneos e seu eterno Beethoven.
Gata siamesa ao colo, subia e descia as escadas: o estúdio, no piso térreo da casa, e a cozinha no segundo andar, onde petiscava as frutas maduras da estação – a cada duas horas. Praticava escalas, ensaiava o repertório do próximo show, burilava arranjos no computador, e quando tinham sede, regava com fios de água os tufos de renda portuguesa nascendo sob o canteiro da ampla janela com vistas ao mar de São Conrado. Assim passava-se a manhã.
À tarde, quando não estava em turnê ou ensaios, dizia uma vez por semana: “Vou até à casa do Paulinho”. Tradução: “Vou encontrar com Paulo Martins, Leandro Verdeal e Alex Meirelles para pesquisar sonoridades – eles têm paciência comigo.” Admirava-se que não se entediassem com os intermináveis detalhes harmônicos, a exigência de refinar o sopro, regular a orquestração, a inquietação com a desenho melódico, a mescla de sons sintetizados, o acrescentar de instrumentos
e timbres. Jogar música fora era maneira de conversar e estar entre nós.
Agora, aí está a gravação destas tardes e a companhia dos amigos músicos, os componentes do Teatro do Som. Em cada faixa deste CD, uma reflexão musical, um experimento.

Por Halina Grynberg

*No site da Biscoito Fino é possível ouvir techos das feixas de Alento.

**E como alento para a falta que Paulo Moura faz, veja por que ele era considerado o maior clarinetista brasileiro.